Do “Monastério dos Sábios” à roda dialética do Boteco
A Mesa Redonda Boteco Jurídico II nasce de uma provocação de Luiz Alberto Warat. Em “O Monastério dos Sábios: o sentido comum teórico dos juristas”, Warat denuncia o modo como o saber jurídico se fecha em ritos, fórmulas e verdades repetidas sem questionamento. É um conhecimento guardado como num mosteiro: solene, hierárquico e distante da vida concreta das pessoas.
O “boteco” é a resposta a esse monastério. É o lugar da conversa aberta, da roda, da troca sem cerimônia. A proposta é quebrar a formalidade que costuma marcar os eventos acadêmicos sem abrir mão da profundidade. A leveza está na forma; o rigor permanece no conteúdo.
Aqui, a palavra não pertence apenas a quem ocupa a mesa. Estudantes e palestrantes dialogam de forma dialética: perguntam, discordam, argumentam e constroem juntos a compreensão dos temas. O conhecimento deixa de ser transmitido de cima para baixo e passa a ser socializado dialeticamente.
O evento leva a experiência de quem pesquisa, de quem advoga e de quem decide no cotidiano dos fóruns para uma conversa franca com os estudantes. Assim, o Boteco Jurídico II promove a práxis jurídica, unindo teoria e ação, e reafirma que o saber jurídico só cumpre sua função quando é compartilhado.
“Como o Direito trata aqueles que mais dependem dele?”